
O dia 16 de outubro tinha tudo para ser um dia histórico para a cultura barrosense. A presença de Humberto Gessinger tocando os sucessos dos Engenheiros do Hawaii era como um sonho para gerações que desde a década de 80 acompanham a carreira desse ícone da música brasileira.
A mudança do show para a cidade de Barbacena decepciona todos os barrosenses, especialmente as cerca de 1000 pessoas que já haviam adquirido os ingressos e todos que pretendem ou pretendiam estar presentes. Essa mudança, no entanto, ilumina duas questões importantes que devem ser levadas em consideração para os próximos eventos na cidade.
A primeira delas é a necessidade do planejamento. O próprio promotor do evento, Luiz César, assume a sua parcela de responsabilidade e tem consciência da importância de se planejar com antecedência os eventos. Isso, porém, não tira o mérito do jovem em se arriscar na promoção do show (investimento de alto risco). Aliás, é importante frisar que a mudança do local do show - uma vez impossibilitado de fazer em Barroso - foi engenhosa, evitou um prejuízo grande para a organização e revela a capacidade do organizador em lidar com situações adversas.
A segunda questão que envolve a mudança do local do show está relacionada à completa falta de apoio das autoridades locais à realização de eventos de grande porte na cidade. Acreditamos que o maior empenho da prefeitura municipal teria facilmente viabilizado a realização do show na cidade. Ainda que tenha existido apoio do vice-prefeito nos bastidores, não houve a mesma garra por parte da prefeitura como um todo em assegurar que o evento acontecesse aqui.
A inoperância do poder público municipal em prover o Parque de Exposições de melhor infra-estrutura e oferecer as garantias judiciais (alvará) para a realização de eventos faz da nossa cidade um ambiente hostil para investimentos da iniciativa privada em eventos culturais. A falta de infra-estrutura; segurança jurídica e apoio financeiro são as principais responsáveis pela mudança do lugar do show. Perde com isso a economia da cidade e, principalmente, os amantes da arte e da boa música.